Uma nova e sofisticada campanha de cibercrime está a abalar a comunidade de utilizadores Apple. Desta vez, os atacantes não estão a usar os métodos tradicionais de phishing; estão a utilizar a confiança depositada em plataformas de Inteligência Artificial, como o ChatGPT (OpenAI) e o Grok (xAI), para disseminar o temido Atomic macOS Stealer (AMOS).
Esta evolução na engenharia social torna o ataque particularmente perigoso, uma vez que utiliza domínios legítimos para contornar a vigilância dos utilizadores e dos sistemas de segurança.
O regresso do AMOS: Mais sofisticado em 2025
O Atomic macOS Stealer (AMOS) é um malware do tipo infostealer (ladrão de informações) conhecido desde 2023. No entanto, a versão detetada em dezembro de 2025 apresenta uma abordagem muito mais difícil de identificar. Em vez de ficheiros .dmg suspeitos, o ataque baseia-se na execução de comandos diretos no sistema.
Como funciona o esquema de “Envenenamento” de Pesquisas
Segundo investigadores da empresa de cibersegurança Huntress, o fluxo do ataque foi desenhado para parecer totalmente orgânico:
- A Pesquisa: O utilizador pesquisa no Google por termos comuns, como “como libertar espaço em disco no macOS”.
- O Link Patrocinado: Os atacantes compram anúncios (Google Ads) que aparecem no topo dos resultados.
- A Plataforma de Confiança: Ao clicar, o utilizador é redirecionado para uma conversa real e alojada nos domínios oficiais do ChatGPT (
chatgpt.com) ou do Grok. - O Guia Falso: A IA (manipulada pelos atacantes através de conversas partilhadas) apresenta um guia detalhado e profissional, sugerindo um comando de Terminal para “limpar ficheiros temporários”.
O perigo do Terminal: A porta de entrada para o malware
O ponto crítico deste ataque reside na simplicidade. O utilizador é instruído a copiar e colar um comando no Terminal do macOS.
Ao executar este código, o sistema não descarrega um instalador visível. Em vez disso:
- O comando descarrega silenciosamente uma variante do AMOS.
- O malware obtém privilégios de administrador sem disparar alertas do Gatekeeper ou do XProtect.
- Não existem pedidos de permissão suspeitos que o utilizador costume associar a vírus.
O que o AMOS rouba do seu Mac?
Uma vez instalado e com persistência garantida (mantendo-se ativo mesmo após reiniciar o computador), o malware começa a extrair:
- Credenciais de Navegadores: Passwords guardadas no Chrome, Safari e Firefox.
- Apple Keychain: Acesso às chaves e senhas do sistema.
- Criptomoedas: Dados de carteiras (wallets) digitais.
- Ficheiros Sensíveis: Documentos armazenados nas pastas do utilizador.
Uma evolução perigosa na engenharia social
A grande diferença desta campanha, comparada com as anteriores, é a eliminação dos “sinais vermelhos” clássicos.
“O malware já não precisa de se disfarçar de software legítimo; ele usa a autoridade de plataformas de IA para convencer o utilizador a abrir a porta de sua casa,” alertam os investigadores da Huntress.
A estratégia é multiplataforma: foram encontradas conversas idênticas tanto no ChatGPT como no Grok, indicando uma operação coordenada em larga escala para atingir o maior número possível de utilizadores Apple.
Como se proteger: Regras de ouro para utilizadores de Mac
Para garantir que o seu sistema permanece seguro, siga estas recomendações de especialistas:
- Cuidado com o “Copiar e Colar”: Nunca execute comandos no Terminal que venham de fontes de IA ou fóruns, a menos que compreenda exatamente cada parâmetro do código.
- Desconfie de Resultados Patrocinados: Links de anúncios no Google podem ser manipulados. Dê prioridade a sites oficiais de suporte da Apple ou portais de tecnologia reconhecidos.
- Verifique a URL: Embora a conversa esteja no domínio oficial da IA, o conteúdo dessa conversa foi gerado por terceiros e pode ser malicioso.
- Use Autenticação de Dois Fatores (2FA): Garanta que, mesmo que as suas passwords sejam roubadas, os atacantes não consigam aceder às suas contas sem o segundo código.
O seu Mac tem comportamentos estranhos?
Se desconfia que executou um comando suspeito recentemente, recomendamos a verificação dos processos ativos no Monitor de Atividade e a utilização de um software de segurança específico para macOS.
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