O Windows 95, lançado oficialmente a 24 de agosto de 1995, marcou um antes e um depois no mundo da informática doméstica e empresarial. Mas antes de pensarmos em ecrãs de boas-vindas animados e ícones coloridos, a experiência de instalação era um verdadeiro teste à paciência e à destreza do utilizador. Este artigo explora em detalhe como era instalar o Windows 95, com especial foco na versão distribuída em disquetes, uma experiência que hoje parece quase impossível de imaginar.
A distribuição em disquetes: Um desafio logístico
Naqueles tempos, nem todos os computadores tinham uma drive de CD-ROM, pelo que a Microsoft disponibilizou o Windows 95 em 28 disquetes de 1,44 MB. Cada disquete armazenava parte dos arquivos do sistema, compactados no formato CAB (.CAB).
- DISK 1: continha o SETUP.EXE e os arquivos necessários para iniciar a instalação (bootstrap).
- Disquetes seguintes: incluíam os componentes do sistema, drivers, acessórios e outros ficheiros essenciais.
A instalação completa demorava, em média, 90 minutos, exigindo que o utilizador trocasse manualmente cada disquete sempre que o sistema solicitava. Qualquer erro — inserir uma disquete fora de ordem ou pular um ficheiro — podia corromper toda a instalação, obrigando a reiniciar o processo do zero.
A sequência crítica e os problemas mais comuns
A ordem das disquetes era fundamental. Técnicos e utilizadores relatavam problemas frequentes com disquetes específicas, como a disquete 11, que causava erros misteriosos durante a instalação. Esta fragilidade obrigava a uma atenção redobrada, pois uma sequência incorreta podia resultar em horas perdidas e frustração.
CD-ROM vs. Disquetes: Uma revolução multimédia
Quem tinha a sorte de possuir uma drive CD-ROM desfrutava de várias vantagens:
- Instalação mais rápida e simples.
- Conteúdos multimédia exclusivos, como vídeos de treino, a música “Good Times” da banda Edie Brickell & New Bohemians e demonstrações interativas.
A diferença entre instalar via disquetes ou CD-ROM era comparável a viajar de cavalo versus automóvel: ambos levavam ao mesmo destino, mas a experiência era completamente distinta.
O sistema de recuperação: Uma necessidade
Dada a complexidade da instalação em disquetes, a Microsoft implementou um sistema de recuperação. Caso o processo falhasse, era possível reiniciar o setup, que tentava retomar do ponto de falha, evitando que todo o trabalho anterior fosse perdido. Esta funcionalidade era vital, pois economizava tempo e permitia contornar problemas inevitáveis com os disquetes.
Legado e Nostalgia
Hoje, instalar o Windows 95 a partir de disquetes é mais uma curiosidade histórica do que uma prática real. No entanto, este processo reflete a evolução da tecnologia e a forma como a informática doméstica se tornou mais acessível. A paciência exigida e os pequenos desafios enfrentados pelos utilizadores ajudam-nos a valorizar a rapidez e a simplicidade das instalações modernas, seja no Windows 11, 12 ou nos sistemas baseados em cloud.
Para entusiastas de retrocomputing, recriar a instalação do Windows 95 é um exercício fascinante de paciência e nostalgia. Cada disquete trocada lembra-nos que a informática não foi sempre tão imediata e intuitiva como hoje.





















