A inteligência artificial, que tantas oportunidades tem criado em sectores como a saúde, a educação ou a indústria, tornou-se também numa poderosa arma para os cibercriminosos. Só no primeiro semestre de 2025, os ataques digitais potenciados por IA dispararam 600%, revelando um cenário sem precedentes na cibersegurança.
De acordo com o mais recente relatório da CyberNews, foram expostas, nos primeiros seis meses do ano, mais de 16 mil milhões de credenciais em todo o mundo — um número recorde que equivale a quase duas credenciais roubadas por cada habitante do planeta. Pior ainda: este volume foi alcançado em apenas meio ano, demonstrando a velocidade com que os cibercriminosos hoje exploram falhas digitais.
Os mais jovens, entre os 25 e os 34 anos, são as principais vítimas em volume de ataques, mas é a população sénior, acima dos 60 anos, que sofre as maiores perdas financeiras. Entre as técnicas mais preocupantes estão os roubos de credenciais, a criação de deepfakes usados em esquemas de usurpação de identidade e fraudes altamente personalizadas geradas com IA.
A Stratesys, multinacional tecnológica com forte presença em Portugal, alerta que cada credencial exposta pode transformar-se na “porta de entrada” para um efeito dominó de ciberataques, atingindo empresas, serviços públicos e até a economia de países inteiros. Só em 2024, estima-se que os ataques tenham causado prejuízos de 10 mil milhões de euros em Portugal.
Educação: o alvo preferencial em Portugal
Por cá, o setor da educação tornou-se um dos principais alvos de ciberataques. Segundo a Check Point Research, em 2025, cada instituição de ensino ou investigação registou uma média superior a 5.300 tentativas de ataque por semana — bastante acima da média global de 4.300.
Mais de 90% das ameaças chegam por correio eletrónico, com códigos maliciosos disfarçados em anexos ou links. Foram identificadas variantes como AgentTesla, RATs e FakeUpdates, além da exploração de vulnerabilidades técnicas. Uma tendência recente é o “quishing”, ou utilização de códigos QR adulterados que redirecionam vítimas para páginas falsas.
A nova linha de defesa
Num cenário em que deepfakes conseguem imitar a voz de familiares ou a imagem de colegas de trabalho, já não basta estar atento a emails com erros de ortografia. A cibersegurança exige treino, vigilância e o recurso a medidas de proteção adicionais.
Entre as práticas recomendadas estão:
- Confirmar sempre identidades por canais alternativos antes de agir.
- Ativar autenticação multifator (MFA) em todas as contas.
- Reforçar práticas de literacia digital para detetar sinais de fraude.
- Denunciar tentativas de ataque para ativar mecanismos legais.
Para empresas, a prioridade é investir em monitorização inteligente de acessos e transações, criando protocolos rigorosos que previnam transferências fraudulentas ou alterações não autorizadas de dados.
Como sublinha Tiago Lopes Duarte, diretor geral da Stratesys em Portugal: “Na era da IA, a cibersegurança não é apenas uma questão tecnológica, mas sim uma responsabilidade partilhada entre empresas, colaboradores e cidadãos.”



















