O teclado que hoje em dia usamos acaba por ser um descendente direto do teclado das ancestrais máquinas de escrever, que desde a segunda metade do século XIX cresceram como cogumelos nas empresas, escritórios, redações de jornais, repartições públicas, nas casas e em muitos outros locais.
A invenção é atribuída ao americano Christopher Sholes, que registou a primeira patente da máquina de escrever em 1868. Mas já antes eram conhecidas várias experiências nessa área, a mais famosa de todas elas o tipógrafo mecânico, criado por John Jones, em meados do século XIX.
Soles é considerado o pai do teclado QWERTY (nome dado à disposição das teclas que, no essencial, ainda hoje persiste), sendo que o primeiro modelo incluia duas teclas para cada letra: uma maiúscula e outra minúscula. A comercialização em massa da máquina de escrever, levada a cabo pela Remington a partir de 1877, deu o primeiro empurrão no uso do teclado.

Até ao surgimento dos primeiros computadores como os concebemos hoje – no início da década de 70 – o teclado percorreu um caminho cheio de saltos tecnológicos. Mas há dois que marcaram definitivamente a sua história. Primeiro nos anos 30, com a invenção do teletipo, uma máquina de escrever eletromecânica usada para transmissão de dados (percursor do Telex e antepassado do Fax).

E, depois, o surgimento da máquina de escrever Selectric, da IBM, nos anos 60. A precisão deste teclado, a ergonomia e a escrita mais rápida tornaram-se num marco tecnológico que influenciou o que veio a seguir, sendo a sua marca visível nos teclados de computador que, na década seguinte, começaram lentamente a ocupar as nossas mesas de trabalho.

Inicialmente usava uma ligação ao computador que usava os chamados “reed switches” (um íman e dois filamentos de metal), mas os constantes problemas de mau contacto obrigaram a repensar a tecnologia. A solução passou por um contacto de alumínio que ao ser premido alterava a capacidade eléctrica do circuito e o micro-processador registava a tecla.
Nos anos seguintes, o teclado foi-se adaptando aos tempos e esforçando-se por acompanhar o ritmo frenético com a que os computadores pessoais avançaram. As teclas juntaram-se, encolheram, tornaram-se extra finas, colaram-se ao ecrã no caso dos portáteis e ganharam uma infinidade de funções.
Hoje, em muitos casos o teclado resume-se a uma aplicação informática que usamos nos tablets e smarthones, preparada para reagir as batimentos no ecrã táctil. Mas as velhas teclas estão ainda muito longe da extinção. É que apesar do avanço brutal dos dispositivos móveis, a porta de entrada para o mundo digital continua a ser o computador para uma boa fatia dos utilizadores (20% por cento da população mundial tem PC, contra 22% dos telemóveis e 6% dos tablets).

É certo que terão de ser cada vez mais finos, mais resistentes, menos ruidosos e até, talvez, transparentes. Mas por cá vão andar por muitos e bons anos. Já sem o “clac, clac” de outros tempos… e talvez sem o “tec tec” dos nossos dias. Mas cá estará o teclado para nos ajudar a escrever, mudar de linha, aumentar o som, desligar o wifi, controlar o leitor de áudio e todas essas funções a que nos habituou ao longo dos últimos 40 e tal anos.
Por: Paulo Jorge Dias




















