O início de uma lenda dos videojogos
No mês de março de 1987, a empresa Sharp apresentou no Japão uma máquina verdadeiramente à frente do seu tempo. Conhecido popularmente pela sigla X68k, este computador pessoal apresentava características tão avançadas que parecia ter sido desenhado propositadamente para rivalizar com as grandes máquinas das salas de jogos da época.
A proximidade técnica era tal que grandes produtoras de jogos, como a prestigiada Capcom, utilizaram este equipamento para criar e testar os seus próprios títulos de arcade. Na prática, quem tinha este computador em casa conseguia jogar títulos exatamente iguais aos que se encontravam nos salões de jogos, algo totalmente impensável nos computadores lançados no mundo ocidental durante essa década.
A força técnica por detrás do sucesso
O motor principal deste computador era o processador Motorola 68000 a funcionar a 10 MHz. Para quem acompanha a história dos microchips, trata-se exatamente do mesmo componente que dava vida a clássicos mundiais como o lendário jogo de combate Street Fighter II. Mais tarde, as versões mais recentes da máquina chegaram a incluir processadores ainda mais rápidos e uma memória RAM de 4 MB, expansível até aos 12 MB.
No entanto, a grande inovação residia nos chips gráficos criados à medida pela Sharp em parceria com a Hudson. Estes circuitos dedicados aliviavam o processador principal, tratando em exclusivo do movimento das imagens e dos cenários na tela. Tudo isto vinha alojado num gabinete muito peculiar, com dois blocos verticais unidos e uma pega retrátil no topo para facilitar o transporte.
Imagem e som de nível profissional
No campo visual, as capacidades deste modelo em 1987 eram simplesmente impressionantes. A máquina conseguia apresentar resoluções de ecrã elevadíssimas para o período e exibir até 65.536 cores em simultâneo. Para acompanhar esta qualidade, o monitor oficial de 15 polegadas adaptava-se automaticamente às diferentes frequências de sinal de vídeo, garantindo sempre a melhor imagem possível.
O aspeto sonoro não ficou atrás. Graças a um chip de som avançado da marca Yamaha, o sistema conseguia reproduzir músicas e efeitos sonoros com a mesma riqueza técnica das máquinas de moedas. A experiência de ter a banda sonora completa de um salão de jogos no conforto da sala de estar tornou-se, finalmente, uma realidade.
Um sistema operativo amigável e jogos inesquecíveis
Para gerir todo este poder de processamento, a máquina utilizava o sistema operativo Human68k, desenvolvido pela Hudson Soft, cuja utilização era muito semelhante ao famoso MS-DOS que dominava os computadores da época.
Esta plataforma permitiu a conversão direta de títulos lendários como Castlevania, Gradius, After Burner, Final Fight e Street Fighter II com uma fidelidade impressionante. Apesar de ter sido vendido exclusivamente no mercado japonês e de ostentar um preço de venda bastante elevado, o Sharp X68000 ficou gravado na história como o computador doméstico mais potente dos anos oitenta, mantendo um estatuto de mito entre os entusiastas da tecnologia.


















