Ao todo existem em todo o mundo qualquer coisa como 4 mil milhões de contas de e-mail. Quem o diz é um relatório do The Radicati Group, que revela ainda que todos os dias são enviadas 132 mil milhões de e-mails. Ou seja, desde que começou a ler este artigo já terão sido enviados mais de 53 milhões de mensagens.
Na verdade, o correio eletrónico – o nome técnico dado ao e-mail –, entrou definitivamente nas nossas vidas. Usamo-lo para trocar correspondência, enviar anexos (desde simples documentos de texto até pesados vídeos) e como forma de aceder aos muitos serviços que usamos (é o endereço de e-mail que, cada vez mais, é usado como nome de utilizador em redes sociais, cloud, etc).
Não faltam serviços de e-mail gratuitos, mas há nomes que surgem insistentemente nos nossos endereços eletrónicos, imediatamente a seguir ao “@”. O mais sonante de todos é o Gmail, o serviço de e-mail da Google que é também a porta de entrada para o universo da empresa: Youtube, Google+, Drive e até mesmo para aceder a um simples dispositivo Android precisamos dele.
Nos últimos vinte e cinco, vinte anos, praticamente toda a população ativa passou a ter o seu endereço de e-mail, mas tudo começou há quase meio século. Foi em 1971, quando o talentoso programador Raymond Tomlinson utilizou a rede ARPANET – a antepassada da nossa Internet – para enviar uma mensagem que viria a ficar conhecida como “QWERTYUIOP” (porque Tomlinson se limitou a escrever, no corpo da mensagem, uma série de carateres sem nexo). Na verdade, nem o seu autor se recorda ao certo do que escreveu pois não achou que era importante gravar essa que viria a ser reconhecida como a primeira mensagem de e-mail da História.
Para levar a cabo esta dura tarefa, o programador criou o SNDMSG, um software rudimentar com apenas 200 linhas de código, tendo ainda sido responsável pela introdução do @ nesse tipo de mensagens. Mas, na altura, Raymond Tomlinson não se apercebeu a importância da sua descoberta. Tanto é que a mostrou apenas a um colega, tendo-lhe pedido expressamente para não contar a ninguém. “Não era suposto estarmos a trabalhar nisto”, terá dito o programador.
Felizmente, o colega não cumpriu o prometido e o e-mail começou a ser usado. Primeiro, timidamente, para comunicação entre académicos e investigadores. E, nas décadas seguintes, como meio de comunicação entre os utilizadores da Internet. Em Portugal, os registos indicam que só em agosto de 1986 foi enviada a primeira mensagem de correio eletrónico. Os autores da proeza foram os investigadores da Universidade do Minho, que conseguiram fazer chegar o e-mail aos colegas da Universidade de Manchester.
Mais tarde, já nos anos 90, surgem os primeiros serviços gratuitos: o Hotmail, criado pelo programador indiano Sabeer Bhatia e depois vendido à Microsoft; e o Rocket Mail, que viria depois a ser comprado pelo Yahoo. Daí para cá os e-mails aperfeiçoaram-se – a capacidade de armazenamento é quase ilimitada. Tornaram-se portáteis, ao ponto de serem levados connosco para todo o lado, no smartphone. E protegeram-se contra as grandes ameaças – SPAM, vírus e todo o tipo de software malicioso –, mas ainda há questões por resolver.
A privacidade é a maior dor de cabeça de quem usa e-mail, principalmente depois de ter sido revelado que grandes empresas do setor, como Google e Microsoft, alegadamente permitiriam o acesso dos serviços secretos americanos aos dados de alguns utilizadores. Mas nada disso abalou a confiança no correio eletrónico, que continua a ser o rei das comunicações escritas e parece determinado em mandar para a reforma a velhinha caixa de correio que todos temos à porta de casa.
Por: Paulo Jorge Dias




















