Com os SSDs NVMe de 4 TB e 8 TB a tornarem-se o novo padrão para bibliotecas de jogos pesadas, o mercado de usados parece um paraíso de descontos. No entanto, ao contrário de um processador ou de uma memória RAM, um SSD desgasta-se fisicamente com cada ficheiro que escreve.
Comprar um SSD usado sem verificar a sua “saúde” é o equivalente digital a comprar um carro sem olhar para os quilómetros no painel. Com a proliferação de SSDs falsos que já denunciámos, os cuidados têm de ser redobrados. Vamos aprender a calcular a vida restante de um disco e a evitar os “negócios da China” que acabam em perda de dados.
1. O “relógio da morte”: O Cálculo do TBW
Cada chip de memória Flash tem um limite de ciclos de escrita. O fabricante define isto como TBW (Terabytes Written). Para saber se o negócio vale a pena, tem de calcular a Percentagem de Vida Útil Restante (Vr):
- Exemplo: Se um SSD tem 600 TBW de limite e o vendedor já escreveu 450 TB, ele só tem 25% de vida restante.
- Veredito: Em 2026, nunca compre um SSD que tenha menos de 80% de vida útil, a menos que o preço seja simbólico. Peça sempre um print do CrystalDiskInfo antes de pagar.
2. A armadilha do “DRAM-less” no mercado de usados
Muitos SSDs baratos (especialmente de marcas secundárias) não têm um chip de memória DRAM dedicado. Eles usam a sua RAM do sistema como “muleta”.
- O problema: Em segunda mão, estes discos degradam-se muito mais depressa e ficam insuportavelmente lentos quando estão acima de 50% de ocupação.
- Dica Pro: Prefira modelos usados de marcas consagradas (Samsung Pro, WD Black, Crucial T-series) que possuam cache DRAM. Eles mantêm a performance mesmo após anos de uso.
Tabela: SSD usado vs. novo (O que compensa em 2026?)
| Característica | SSD Usado (Topo de Gama) | SSD Novo (Entrada/Médio) |
| Preço | -40% a -60% do PVP | Preço de mercado (C/ Garantia) |
| Garantia | Geralmente inexistente | 3 anos (Lei da UE) |
| Performance | Alta (se for Gen4/Gen5) | Consistente |
| Risco | Elevado (Morte súbita) | Quase nulo |
| Uso Ideal | Jogos e ficheiros temporários | Sistema Operativo e Trabalho |
3. Compatibilidade e “gargalos” físicos
Não se deixe deslumbrar por um SSD Gen5 usado se a sua motherboard for de 2022.
- Interface: Um SSD Gen5 num slot Gen3 vai funcionar, mas terá apenas uma fração da velocidade. Estará a pagar por uma performance que não pode usar.
- O fator calor: SSDs de alta performance usados podem ter sofrido danos por calor se foram usados sem dissipador. O pó acumulado e o sobreaquecimento são os maiores assassinos de controladoras de SSD. Verifique se o autocolante original não está “tostado” ou com bolhas.
4. Segurança: O perigo dos “dados fantasma”
Comprar um disco usado é um risco bidirecional.
- Para o comprador: Um SSD usado pode vir com malwares persistentes ou Ransomware escondidos em partições de recuperação ocultas.
- O que fazer: Assim que receber o disco, não se limite a formatar. Use uma ferramenta de Secure Erase (disponível na BIOS da maioria das boards modernas) para limpar as células de memória a nível físico.
5. Inspeção visual e testes pós-Venda
Se o vendedor não aceitar um teste presencial ou não usar uma plataforma com proteção (Vinted, OLX Entregas, eBay), desista.
- Conetores: Verifique se os “dentes” dourados do M.2 não têm riscos profundos ou falta de material.
- Benchmark: Mal instale o disco, corra o CrystalDiskMark. Se a velocidade de escrita for 50% inferior à anunciada, o disco pode estar em “modo de proteção” devido ao desgaste. Saiba como formatar corretamente para tentar recuperar alguma performance, mas prepare-se para devolver se o erro persistir.
Conclusão: Vale a pena?
Comprar um SSD usado em 2026 só vale a pena para armazenamento secundário (como a sua biblioteca de Steam ou Game Pass). Para o seu Windows e ficheiros de trabalho, a paz de espírito de uma garantia de 3 anos e uma saúde a 100% compensa largamente a diferença de preço.
Lembre-se: um SSD pode morrer sem aviso prévio. Se optar pelo usado, a regra é clara: Backup, Backup e Backup.




















