Todos temos aquele amigo (ou somos esse amigo) que usa o WinRAR há 15 anos sem nunca ter pago a licença. Mas em 2026, a piada acabou. Grupos de espionagem de elite, como o Sandworm (Rússia) e o APT40 (China), transformaram o WinRAR no seu cavalo de Troia favorito.
O problema não é o programa em si, mas o facto de ele ser um “software fantasma”: instalamos, usamos e nunca o atualizamos. Esta negligência é a porta de entrada perfeita para ataques silenciosos a setores críticos, desde a energia até à defesa.
1. O “calcanhar de Aquiles”: A falta de auto-update
Num mundo onde o Chrome, o Windows e o Office se atualizam sozinhos, o WinRAR parou no tempo. Ele exige que o utilizador vá manualmente ao site, descarregue o instalador e o execute.
- O resultado: Em 2026, estima-se que 70% das instalações de WinRAR em empresas portuguesas estejam vulneráveis a falhas corrigidas há meses.
- A falha estratégica: Sem um mecanismo de auto-update, o utilizador comum assume que o software está “bom” enquanto conseguir abrir um ficheiro. Os hackers sabem disso e esperam pacientemente.
2. Como os Hackers usam o seu WinRAR contra si
Os grupos APT (Ameaças Persistentes Avançadas) não enviam vírus óbvios. Eles usam Engenharia Social:
- O isco: Recebe um ficheiro
.rarou.zipcom um nome urgente (ex: “Fatura_Atrasada_Fevereiro_2026”). - A armadilha: Ao usar uma versão antiga do WinRAR para extrair o conteúdo, um código malicioso é executado em segundo plano através de uma falha de “spoofing” de extensão.
- O controlo: Antes de o seu antivírus reagir, os hackers instalam um backdoor (como o SnipBot) que lhes dá controlo remoto total da sua máquina.
Tabela: O historial de “sustos” do WinRAR
| Ano | Ameaça / Vulnerabilidade | Impacto |
| 2019 | Falha no suporte ao formato ACE | Expôs PCs durante 19 anos sem ninguém saber. |
| 2023 | Zero-Day (CVE-2023-38831) | Execução de scripts ao clicar em imagens “falsas”. |
| 2025/26 | Exploração de Versões Obsoletas | Usado por grupos estatais para espionagem política. |
3. Em 2026, ainda precisa do WinRAR?
A resposta curta é: provavelmente não. O ecossistema digital evoluiu para tornar os compactadores de terceiros quase obsoletos.
- Suporte nativo do Windows 11: Desde as atualizações de 2024 e 2025, o Windows 11 abre e cria ficheiros
.RAR,.7ze.TARdiretamente no Explorador de Ficheiros. É mais rápido, gratuito e seguro. - 7-Zip (A alternativa open source): Se precisa de funções avançadas (como encriptação AES-256), o 7-Zip é mais leve e menos visado por ataques de larga escala.
Dica de Segurança: Se faz questão de manter o WinRAR pela nostalgia ou funções específicas, verifique a sua versão agora. Se for inferior à 7.x, está em risco. Mantenha o seu sistema operativo atualizado para garantir que as defesas nativas do Windows travam estes ataques.
4. Como se proteger de ficheiros comprimidos maliciosos
Não basta atualizar o software; é preciso mudar o comportamento:
- Não extraia para pastas do sistema: Evite extrair ficheiros diretamente para a pasta
C:\WindowsouArquivos de Programas. - Use a Visualização Prévia: Antes de clicar em “Extrair tudo”, veja o que está lá dentro. Se houver ficheiros
.exe,.vbsou.batdisfarçados de documentos, apague imediatamente. - Higiene de software: Se não usa, desinstale. Cada app “esquecida” no seu PC é uma potencial extensão maliciosa ou porta aberta para malwares como o StealC.
Conclusão: O fim da era da inocência
O WinRAR é um ícone da informática, mas em 2026 a nostalgia não compensa o risco. Os ataques da Rússia e da China provam que o software mais inofensivo pode ser a arma mais perigosa se não for gerido corretamente. Se o seu Windows 11 já faz o trabalho, talvez esteja na altura de dizer adeus ao livrinho empilhado.




















