O Gemini, integrado no navegador Chrome móvel, é atualmente o navegador com inteligência artificial que recolhe a maior quantidade de dados pessoais dos utilizadores. Um estudo recente da Surfshark revela que este navegador recolhe 24 tipos diferentes de informações diretamente ligadas a cada utilizador, incluindo nome, localização exata, identificador do dispositivo, histórico de navegação e pesquisas, interações com produtos e até histórico de compras. Esta recolha detalhada de dados ultrapassa a de outros navegadores com IA, como o Edge da Microsoft ou o Comet da Perplexity, posicionando o Gemini na vanguarda dos navegadores mais “esfomeados” por dados.
Os navegadores com agentes de IA, como o Gemini, prometem simplificar tarefas diárias, como fazer compras online ou agendar compromissos, oferecendo uma experiência mais personalizada e ágil. Contudo, esta conveniência tem um custo elevado: a privacidade do utilizador. Karolis Kaciulis, Engenheiro de Sistemas Principal da Surfshark, alerta para o facto de que a privacidade está a tornar-se um artigo descartável nestes modelos, que monitorizam tudo o que é feito online. Além dos dados comuns, o Gemini recolhe informações muito sensíveis, como dados sobre etnia, orientação sexual, incapacidades e muito mais, com o intuito de criar perfis detalhados e específicos para alimentar a IA generativa e produzir conteúdos altamente personalizados. O objetivo final é claro: aumentar os lucros através da otimização da experiência do utilizador, mas à custa da privacidade.
Para além deste cenário preocupante, já foram detetadas falhas graves de segurança em outros navegadores com IA, como o Comet da Perplexity, que podem expor informações bancárias e outros dados extremamente sensíveis a hackers. Este alerta reforça a importância de os utilizadores terem cautela ao interagir com esses agentes inteligentes.
Para se proteger na era dos navegadores com IA, recomenda-se algumas práticas essenciais. Primeiro, evitar permitir que o navegador preencha automaticamente formulários com dados sensíveis, como números de segurança social, palavras-passe e dados bancários, preferindo inserir essas informações manualmente. Em segundo lugar, opte por usar navegadores tradicionais para tarefas que envolvam dados pessoais importantes, como o acesso ao e-mail ou homebanking. O controlo das definições de privacidade do navegador é crucial: deve procurar opções para desativar a partilha de dados e eliminar historiais de conversas anteriores com a IA. Além disso, é fundamental rever cuidadosamente qualquer ação automática da IA, que possa clicar em botões ou enviar formulários, antes de a autorizar. Por fim, mantenha o navegador sempre atualizado para usufruir das últimas correções de segurança.
O avanço dos navegadores com IA coloca-nos perante um novo paradigma na internet: a vigilância constante disfarçada de conveniência tecnológica. A privacidade dos utilizadores está em risco e só com conhecimento e medidas conscientes é possível minimizar este impacto. Será que as empresas realmente valorizam a segurança dos nossos dados? E que consequências poderemos enfrentar daqui a alguns anos? Estas são perguntas que todos devemos fazer enquanto navegamos neste novo mundo digital.




















