Montar um PC de alto desempenho em Portugal não é tarefa fácil, sobretudo para quem tem um orçamento apertado. As placas gráficas continuam a ser o componente mais caro, mas também os processadores de última geração não ficam atrás: um modelo intermédio ronda facilmente os 200 €, enquanto os de topo ultrapassam os 400 € em lojas como a PCDIGA, Globaldata ou Chiptec.
Perante estes preços, muitos entusiastas recorrem ao mercado de usados. Seja através de sites como o OLX, o eBay ou até grupos de Facebook dedicados a hardware, é possível encontrar CPUs a preços bem mais baixos. Alguns modelos mais antigos ainda oferecem excelente desempenho para jogos e aplicações pesadas.
Mas será que compensa? A resposta é: depende. Comprar um processador usado pode ser uma ótima forma de poupar, desde que tenha alguns cuidados. Aqui ficam 5 pontos essenciais a verificar antes de fechar negócio.
1. Compatibilidade com a motherboard
Antes de se entusiasmar com o preço, verifique se o processador funciona no seu sistema.
- Socket: cada CPU tem um encaixe físico específico (ex.: AM4 para AMD, LGA-1700 para Intel). Se não coincidir com o da sua motherboard, simplesmente não vai encaixar.
- Chipset: mesmo dentro do mesmo socket, alguns chipsets não suportam determinados processadores. Consulte o site oficial do fabricante da sua motherboard e confirme a lista de CPUs compatíveis.
- Atualização da BIOS: em muitos casos, pode ser necessário atualizar a BIOS para que o processador seja reconhecido.
Dica: não faz sentido gastar mais em processador do que na própria motherboard. Se usar um CPU de topo numa board de entrada, estará a desperdiçar desempenho.
2. Relação preço/desempenho
O mercado de usados não tem tabelas fixas. É comum encontrar processadores de 4 ou 5 anos a preços próximos de modelos novos de gama intermédia.
Por exemplo: um Ryzen 7 5800X usado ronda os 150-160 € no OLX, mas em jogos pode ser superado por um Ryzen 5 7600 novo (a partir de 190-200 € em lojas portuguesas), que consome menos energia e oferece suporte para tecnologias mais recentes.
Antes de comprar, consulte sempre benchmarks atualizados (sites como TechPowerUp, Hardware Unboxed ou canais portugueses como a PCDIGA TV e a Chiptec) para perceber se está realmente a poupar.
3. Estado físico do processador
Um processador usado deve ser inspecionado com atenção.
- AMD (AM4, PGA): verifique se os pinos estão direitos e intactos.
- Intel (LGA) e AMD Ryzen 7000/8000/9000: inspecione os contactos dourados e o PCB para descartar riscos, arranhões ou sinais de reparação.
- IHS (a tampa metálica): riscos profundos podem indicar um delid mal feito, o que representa risco de falha.
Se comprar presencialmente, peça para ver o componente com calma.
4. Segurança na compra
O melhor é sempre comprar em plataformas que ofereçam proteção ao comprador:
- OLX: já tem sistema de pagamentos com proteção, permitindo devolução em caso de problemas.
- eBay: oferece garantias semelhantes, embora implique custos de envio internacionais.
- Lojas com produtos recondicionados (ex.: KuantoKusta Recondicionados, Amazon Warehouse): podem ser mais caros, mas trazem garantia legal.
Evite transferências bancárias diretas ou negociações apenas via WhatsApp, onde não há forma de recuperar o dinheiro em caso de fraude.
5. Testes após a compra
Depois de instalar o processador, faça testes básicos para garantir que está tudo em ordem:
- Identificação: use o CPU-Z para confirmar o modelo e especificações.
- Benchmark: corra o Cinebench e compare resultados com valores de referência na internet.
- Estabilidade e temperaturas: use programas como Prime95 ou AIDA64 para stressar o CPU e verificar se as temperaturas estão controladas.
Se notar instabilidade ou temperaturas acima dos 90-95 °C, pode haver problema com o processador ou com o sistema de refrigeração.
Vale a pena ou não?
Comprar um processador usado em Portugal pode ser uma boa forma de poupar e melhorar o seu PC, mas exige atenção. Seguindo estas dicas, minimiza os riscos e aumenta as hipóteses de fazer um bom negócio.
No entanto, sempre que possível, a opção mais segura continua a ser comprar novo, com garantia de 2 anos e assistência direta em lojas nacionais. Ainda assim, se encontrar o vendedor certo e fizer as verificações necessárias, um processador em segunda mão pode render muitos anos de desempenho sólido.
Está a pensar montar ou atualizar o seu PC? Prefere investir em peças novas ou arriscar no mercado de usados?




















