A Apple poderá estar prestes a abrir mão da exclusividade da Siri nos seus dispositivos na Europa. Sob pressão regulatória da União Europeia, a gigante de Cupertino está a preparar mudanças significativas no iOS que permitirão aos utilizadores definir outro assistente de voz como padrão nos seus iPhones — uma medida que poderá marcar uma viragem histórica na estratégia da marca.
Apple obrigada a abrir o iOS à concorrência
Segundo fontes próximas do processo, a Apple encontra-se a trabalhar activamente na adaptação dos seus sistemas operativos, de forma a cumprir os requisitos do novo enquadramento legal europeu. Estas alterações permitirão, pela primeira vez, que os utilizadores substituam a Siri por um assistente alternativo, como o ChatGPT, o Claude ou o Gemini.
A medida surge na sequência do Digital Markets Act (DMA), que obriga as grandes plataformas tecnológicas a garantir uma concorrência mais justa. A Apple já teve de abrir a App Store a lojas de aplicações alternativas e permitir a escolha de navegadores e motores de busca diferentes dos seus predefinidos. Agora, o próximo passo poderá ser a abertura do iOS à concorrência no domínio da assistente virtual.
Nova Siri com IA generativa ainda longe do lançamento
Estas mudanças colocam pressão adicional sobre a nova versão da Siri, que está a ser reformulada com tecnologia de inteligência artificial generativa. O lançamento, inicialmente previsto para mais cedo, foi adiado e está agora apontado para o outono. A nova Siri deverá ser capaz de processar pedidos mais complexos, com base em dados contextuais do utilizador e nas aplicações instaladas no dispositivo.
Internamente, alguns executivos da Apple têm como ambição tornar a Siri numa verdadeira concorrente do ChatGPT, dotando-a da capacidade de procurar informações na web e responder de forma mais natural e precisa. No entanto, fontes indicam que as funcionalidades baseadas em IA generativa ainda não estão suficientemente desenvolvidas para serem apresentadas na WWDC 2025.
Apple separa “Apple Intelligence” da imagem da Siri
Curiosamente, a Apple está a fazer um esforço consciente para dissociar a nova marca “Apple Intelligence” da imagem da Siri, que, segundo várias análises, continua a sofrer de uma reputação pouco favorável entre os utilizadores. Esta separação poderá representar uma tentativa de reposicionar os esforços da Apple no campo da inteligência artificial, evitando que os preconceitos associados à assistente virtual comprometam a aceitação das novas tecnologias.
Durante a próxima WWDC, a Apple deverá apresentar várias funcionalidades relacionadas com o “Apple Intelligence”, incluindo um novo modo de gestão de bateria baseado em IA. No entanto, a empresa optou por adotar uma estratégia de comunicação mais contida, evitando anunciar funcionalidades com demasiada antecedência.
Um mercado em transformação
Se se confirmarem estas alterações, o iPhone deixará de estar vinculado exclusivamente à Siri na Europa, o que representa uma mudança de paradigma no ecossistema Apple. Resta saber se a empresa conseguirá recuperar terreno face a concorrentes como o Google Assistant ou soluções baseadas em modelos de linguagem avançados como o ChatGPT — que, com maior liberdade de escolha por parte dos utilizadores, poderão conquistar uma fatia significativa do mercado europeu.




















