Se tentaste comprar RAM recentemente, sabes que a subida de preços de 2025 não foi uma fase; foi o novo normal. Em 2026, 32 GB de RAM custam o que um PC inteiro custava há dois anos. Este cenário criou o ambiente perfeito para a “profissionalização” da burla. Hoje, um anúncio com bom aspeto pode esconder hardware que não vale o metal do dissipador.
Antes de dares o “clique” no botão de comprar, precisas de saber como os criminosos estão a operar e como o software pode ser o teu melhor detetive.
1. O lado negro do mercado: As burlas de 2026
Os burlões já não se limitam a não enviar o produto. Agora, eles enviam-te algo que parece real, mas que é um “Frankenstein” tecnológico.
- A “maquilhagem” do dissipador: É a burla mais comum. Pegam em memórias de servidor obsoletas ou módulos genéricos lentos e colam-lhes dissipadores de marcas como Corsair ou G.Skill comprados em sites de importação. Tu vês um “pente” gamer; o teu PC vê lixo eletrónico.
- SPD Spoofing (A burla técnica): Aqui o buraco é mais fundo. O burlão reprograma o chip SPD (onde o hardware se identifica ao PC). O Windows diz que tens 16 GB, mas fisicamente só lá estão 8 GB. O PC funciona bem… até tentares abrir um jogo pesado como o GTA VI. Aí, o sistema tenta aceder a memória que não existe e o PC crasha instantaneamente.
Tabela: Como detetar uma RAM falsa em 10 segundos
| Sinal de Alerta | RAM Genuína | RAM Suspeita (Burla) |
| Etiqueta (Serial) | Impressão nítida, alinhada e com holograma. | Baixa resolução, torta ou com erros gramaticais. |
| Preço | Próximo do valor de mercado (ex: -20%). | “Milagre” (ex: 50% ou 70% de desconto). |
| Fotos | Reais, com pó, no PC ou em cima da secretária. | Fotos de estúdio ou genéricas da internet. |
| SPD Data | Fabricante do chip coincide com a marca. | Fabricante desconhecido ou “Generic”. |
| Dissipador | Perfeitamente encaixado, sem folgas. | Marcas de cola ou folgas entre o metal e o chip. |
2. O trabalho de detetive: Antes de pagar
Em 2026, a desconfiança é a tua melhor firewall. Se o vendedor recusa estes passos, foge:
- Vídeo de prova de vida: Pede um vídeo do PC a ligar, a entrar na BIOS e a mostrar as frequências e o modelo da RAM. No vídeo, o vendedor deve mostrar um papel com o nome dele e a data de hoje.
- Foto da etiqueta: O número de série tem de estar legível. Podes verificar no site do fabricante (como a Kingston ou Corsair) se esse código existe e se corresponde ao modelo anunciado.
- Higiene física: Quando receberes a peça, olha para os contactos dourados. Se estiverem riscados ou com manchas esverdeadas (oxidação), a RAM foi maltratada ou esteve em ambientes húmidos.
3. O teste do algodão: O software não mente
Instalaste a RAM e o PC ligou? Ótimo, mas ainda não libertes o dinheiro ao vendedor. Tens de stressar o componente para ver se ele é real.
- Thaiphoon Burner: É o “detetor de mentiras”. Ele lê o chip SPD e diz-te quem fabricou os módulos (Samsung, Micron, SK Hynix). Se a etiqueta diz Samsung e o software diz “Desconhecido”, foste enganado.
- MemTest86: Corre este teste via pen USB. Se houver um único erro (vermelho no ecrã), a RAM está defeitosa. Com as latências apertadas da DDR5, um módulo instável pode corromper todos os teus ficheiros e o teu Windows Update.
- TestMem5 (Extreme Preset): Para quem não tem tempo a perder. É o teste mais rápido para detetar instabilidades em frequências altas.
Conclusão: Vale o risco?
Comprar RAM usada em 2026 é a única forma de muitos utilizadores conseguirem jogar títulos modernos, mas exige paciência. Se comprares um kit genuíno, ganhas performance de topo por uma fração do preço. Se fores apressado, ficas com um pisa-papéis de 300€.
A regra de ouro: Utiliza sempre plataformas com proteção ao comprador (Vinted/Wallapop/Entregas OLX). Nunca faças transferências diretas ou MB WAY sem teres a mercadoria testada nas mãos.




















