A Google começou a disponibilizar globalmente uma nova infraestrutura de privacidade e personalização que muda radicalmente a forma como o seu histórico é armazenado e processado. Se você recebeu um e-mail recente da empresa ou um aviso pop-up nas aplicações do smartphone, não o ignore: a tecnológica de Mountain View dividiu os antigos controlos de privacidade para abrir caminho à recolha de dados na Era da Inteligência Artificial.
Esta atualização já está a ser distribuída gradualmente em Portugal. Descubra o que muda na prática e como ajustar os novos menus para impedir que a Google use a sua vida privada para treinar robôs.
A divisão dos menus: Controlo ou rastreio mais focado?
Até agora, a Google agrupava quase toda a sua atividade digital debaixo de um único guarda-chuva chamado “Atividade na Web e em Apps”. Com a atualização de 2026, esse mecanismo foi abolido e substituído por dois controlos totalmente independentes e separados:
- Histórico de serviços de pesquisa: Regista as suas pesquisas literais e os sites que visita através do ecossistema Google.
- Recomendações personalizadas: Controla se a Google tem permissão para usar o que sabe sobre si para alterar os resultados que exibe no ecossistema de serviços.
Ao separar estes botões, a Google estende este novo rastreio minucioso a sete plataformas cruciais do seu dia a dia: Pesquisa, Google Maps, Google Shopping, Google Flights, Google Hotels, Google Tradutor e Google News.
O perigo oculto: O novo histórico “multimédia Guardada”
A grande rasteira desta atualização reside na introdução de um novo controlo chamado Multimédia Guardada. Se você aceitar as definições padrão da Google sem ler as letras miúdas, a empresa ganha o direito legal de armazenar nos servidores deles:
- Todas as imagens e capturas de ecrã que você analisa através do Google Lens.
- Gravações de áudio completas e ficheiros usados nas pesquisas por voz.
- Dados de geolocalização visual em tempo real recolhidos pelo Search Live.
Para onde vão estes dados?
A Google assume claramente em comunicado que estes ficheiros multimédia serão utilizados para melhorar e treinar os seus sistemas de inteligência artificial. Ou seja, a fotografia que você tira a um produto na rua para saber o preço ou a sua mensagem de voz privada vão servir de alimento para os algoritmos da empresa.
A única parte positiva é que você pode apagar ficheiros individualmente do painel de controlo ou desativar esta recolha de dados multimédia sem ter de desligar o histórico de pesquisas de texto tradicional.
As suas preferências atuais correm perigo?
A Google confirmou que a transição vai respeitar o histórico escolhas do utilizador. Se você já tinha a “Atividade na Web e em Apps” desativada na sua conta, os novos menus vão permanecer desligados. Se tinha a opção ativa, eles transitam para o novo sistema ligados por predefinição.
Como a distribuição está a ser feita por lotes, você será notificado nas próximas semanas através de um aviso flutuante na aplicação do Google no Android ou iPhone, ou por uma mensagem na caixa de entrada do Gmail.
Como proteger a sua conta agora mesmo (passo a passo)
Não espere que a notificação apareça. Você pode antecipar-se e bloquear a recolha multimédia seguindo estes passos:
- Aceda ao site myactivity.google.com no seu computador ou telemóvel e faça login com a sua conta.
- No menu lateral, clique em Controlos de Atividade.
- Procure pela nova secção Histórico de Serviços de Pesquisa.
- Desça até encontrar a opção Multimédia Guardada e desative o interruptor.
- Dica Extra: Aproveite e configure a “Eliminação Automática” para o período mínimo de 3 meses, garantindo que a Google limpa os seus servidores periodicamente.
Conclusão: A IA exige uma nova postura de segurança
Os seus dados já não servem apenas para lhe mostrar anúncios de sapatos ou hotéis; eles são o combustível que alimenta a inteligência artificial generativa das Big Techs. Esta reestruturação dos menus da Google é uma prova de que a empresa precisa de refinar a recolha de dados visuais e sonoros para não ficar atrás na corrida tecnológica. Dedicar dois minutos a rever os seus controlos de atividade é a única forma de garantir que o seu smartphone trabalha para si, e não para treinar os robôs de Silicon Valley.




















