O mercado de hardware em segunda mão atingiu um nível de falsificação assustador. Surgiram relatos de módulos de memória RAM DDR5 falsificados que nem sequer contêm silício no seu interior: os burlões estão a soldar pedaços de plástico ou fibra de vidro sobre o circuito impresso (PCB) e a vendê-los como se fossem memórias premium funcionais.
O problema começou a ser detetado no formato SO-DIMM (para portáteis), mas já alastrou para os módulos de desktop, espalhando-se rapidamente através de plataformas mundiais de compras online e classificados.
Como funciona a nova burla do plástico?
No passado, as falsificações eram rudimentares. Os criminosos pegavam em memórias antigas (DDR3 ou DDR4), colavam-lhes uma etiqueta falsa de “DDR5” e tentavam a sua sorte. O hardware era obsoleto, mas os chips eram reais.
Em 2026, a abordagem é puramente cenográfica. O módulo é montado com componentes decorativos que imitam a disposição de uma memória real.
“Ao abrir a cápsula de um dos supostos chips DDR5, o interior estava completamente vazio. Não havia silício, apenas material de enchimento plástico…” — Revelou o utilizador TAKI numa denúncia partilhada pelo portal Videocardz.
Como não há silício para processar os dados, o módulo simplesmente não conduz corrente, não arranca e não é detetado pela BIOS/UEFI da sua motherboard.
O perigo cculto nos dissipadores de desktop
Se nos portáteis ainda é possível inspecionar os chips a olho nu, nos computadores de secretária o risco duplica. A maioria das memórias DDR5 para desktop vem equipada com dissipadores de calor robustos de alumínio ou iluminação RGB.
Estes dissipadores tornaram-se o disfarce perfeito. É impossível ver o que está por baixo sem remover a blindagem térmica — um processo complexo que invalida a garantia e que quase nenhum comprador faz antes de instalar o componente. Quando você percebe que a RAM não funciona, o vendedor já apagou a conta ou eliminou o anúncio.
Tabela: Como diferenciar a DDR5 real da falsa
| Elemento de Análise | Módulo Genuíno (Samsung/Crucial/Corsair) | Módulo Falsificado (Chips de Plástico) |
| Chips de Memória | Serigrafia a laser alinhada e nítida. | Marcações desalinhadas ou fontes falsas. |
| Bordas da Placa (PCB) | Cortes retos, precisos e de cor uniforme. | Extremidades arredondadas e de tom mais claro. |
| Chip PMIC (Gestão de Energia) | Centralizado, retangular e com soldas perfeitas. | Geometria estranha ou ausência de microcomponentes em redor. |
| Comportamento no PC | Reconhecido de imediato com perfil XMP/EXPO. | O PC não faz Boot ou emite bipes de erro de RAM. |
Checklist: Como proteger a sua carteira?
Se está a pensar comprar memória RAM usada para o seu computador, siga estas três regras de ouro para evitar deitar dinheiro ao lixo:
- Exija provas de funcionamento em tempo real: Não aceite apenas fotos do módulo em cima de uma mesa. Peça capturas de ecrã ou um vídeo curto do sistema a correr o software CPU-Z ou o teste de stress MemTest86.
- Valide o número de série: Solicite uma fotografia nítida da etiqueta do produto. Aceda ao site oficial do fabricante (Kingston, Corsair, G.Skill, etc.) e verifique se o número de série corresponde exatamente ao modelo anunciado.
- Desconfie de preços “milagrosos”: A memória DDR5 mantém um valor de mercado estável. Se o preço estiver manifestamente abaixo da média, desconfie de imediato.
Conclusão: A importância de comprar com garantia
Esta vaga de falsificações prova que o crime informático já não se faz apenas através de linhas de código ou vírus; faz-se também na linha de montagem de hardware falso. Se o vendedor demonstrar pressa ou desconforto perante as suas exigências de teste, recuse o negócio. A segurança do seu dinheiro depende da sua capacidade de desconfiar de promessas fáceis.




















