Aquaris V: discreto mas fiável

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Quando pegamos nele quase passa despercebido, mas ao fim de uns minutos a manusear o Aquaris V percebemos que temos ali um companheiro leal, que não nos vai deixar ficar mal. A fiabilidade é o ponto forte – em contraste com o design algo “despido” –, sendo ainda de destacar o desempenho, a bateria e a câmara que, em condições de luz favoráveis, passa facilmente no teste.

O nicho dos telemóveis da chamada Gama Média sempre foi muito subvalorizado. Está normalmente associado a jovens pouco endinheirados ou a telefones de serviço das empresas, mas há neste domínio modelos que se destacam.

Um deles é este Aquaris V, que alguns leitores nos desafiaram a testar. À primeira vista dá a sensação de ser apenas um daqueles dispositivos condenados a passar uns meses na mão do utilizador, para logo depois ser substituído por outro modelo qualquer. O elevado índice de rotatividade é uma das caraterísticas desta gama (que em alguns segmentos chega a ser classificada de “média/baixa”).

Mas bastam uns quantos minutos de uso para percebermos que, afinal, o Aquaris V pode muito bem ser um daqueles smartphones que vêm para ficar. Bem cuidado e com as operações de manutenção certas, acreditamos que seja o fiel companheiro do utilizador por um bom punhado de anos.

E não lhe faltam argumentos para fundamentar esta expetativa de durabilidade. O processador Qualcomm Snapdragon 435, aliado aos 3GB de RAM permitem-lhe manter um desempenho bastante razoável, sem grandes quebras de funcionalidade – acredite, levámo-lo ao limite e apenas bloqueou completamente uma vez. É certo que perde velocidade quando há muitas tarefas a manter, mas nada que comprometa o seu funcionamento.

Um design simples

Claro que uma boa máquina pesa e de que maneira na lista de preferências dos consumidores. Mas o “embrulho” também pode ser determinante para quem escolhe um telefone novo. Ora, o ponto que, de facto, nos merece maior reflexão é o visual.

No nosso caso, que optámos pelo negro, a primeira impressão não é famosa. À primeira vista parece apenas um retângulo escuro, algo impessoal e desprovido de alguma emoção visual. Mas, para sermos honestos, quem disse que os smartphones têm todos de ser espalhafatosos?

Num tempo em que os nossos dispositivos móveis parecem mais preocupados em dar nas vistas do que serem rápidos ou fiáveis – alguns parecem desenhados para transmitir a ideia do “Hey, olhem para o meu telemóvel novo!” –, o Aquaris V destaca-se pela eficácia. Faz bem feito o trabalho que lhe é pedido, correspondendo sempre com rapidez a todas as operações que o utilizador requer. Pode não ser o telefone mais bonito do mercado mas, caramba, quando tocamos naquele ecrã já sabemos que ele vai fazer tudo o que lhe pedimos.

Há ainda a questão do material. Feito em metal, pode causar alguma impressão ao toque, mas revelou-se bastante resistente em situações de infortúnio (caiu apenas uma vez, em soalho de madeira, mas aguentou-se lindamente, sem um único arranhão. Só um aviso: se é daqueles que costumam guardar o telemóvel no bolso, juntamente com chaves ou moedas, mesmo que o ecrã esteja protegido com capa de vidro, o metal é algo propenso aos riscos na parte traseira.

Câmara “bipolar”

Um dos aspetos mais relevantes na hora de escolher um smartphone é, obviamente, a câmara. E, neste aspeto, a BQ foi sempre generosa: mesmo em modelos de gama inferior, a marca sempre surpreendeu com telefones muitíssimo bem equipados, tanto na câmara traseira como até na dianteira.

Neste Aquaris V a tradição mantém-se mas, com umas quantas limitações. Equipado com uma câmara traseira de 12MP e outra frontal de 8MP (ambas com flash LED), o dispositivo da BQ permite-lhe registar momentos do seu dia a dia com garantia de imagem muito razoável. À luz do dia ou mesmo em interiores bem iluminados, o V garante-lhe fotografias praticamente sem grão e com distorção mínima.

O problema é quando o sol se põe. Aí, ambas as câmaras do Aquaris – principalmente a dianteira – revelam alguma dificuldade em captar a magia do momento, ao ponto de termos alcunhado este telefone de “Belle do Jour”. É que, à semelhança da personagem de Catherine Deneuve, no filme de Luis Buñuel com o mesmo nome, durante o dia brilha em todo o seu esplendor, mas à noite revela o seu lado mais obscuro.

Ecrã aprovado
Nos dias de hoje, o smartphone é sujeito a todo o tipo de exigências. Tirando os momentos em que fazemos chamadas de voz ou ouvimos música, tudo o resto tem de ser visto. Sejam os jogos, os filmes, as fotografias, as apps, as redes sociais e por aí fora. Ora, com tanta coisa para ver é mesmo preciso um bom ecrã e, nesse domínio, o Aquaris V aguenta-se heroicamente.

Não tendo propriamente a definição de um modelo de gama alta, o ecrã de 5 polegadas HD mantém ainda assim um registo muito satisfatório em praticamente tudo o que lhe foi pedido: vídeos do Youtube, fotografias e até mesmo a visualização de televisão através da app do nosso operador de cabo.

Lá está, não tem aquelas cores e brilhos de um telefone topo de gama, mas – bolas! – um telemóvel é apenas isso, um telemóvel. Não tem de ter um daqueles ecrãs luminosos que passam publicidade em Times Square.

Bateria
E pronto, eis-nos chegados a outro fator verdadeiramente decisivo para quem compra um smartphone. Tendo em conta que se trata de um telefone de desempenho bastante aceitável, é normal que puxemos por ele ao limite. E, claro, com tanta coisa a funcionar ao mesmo tempo – e durante tanto tempo – é preciso uma autonomia considerável, o que acaba por ser o ponto fraco dos rivais asiáticos da BQ.

Ao contrário do fabricante espanhol que é dono e senhor uma excelente reputação ao nível das baterias. E que, mais uma vez, vai manter o seu registo imaculado. Para um modelo desta gama a autonomia é excelente (supera bem as 24 horas), mesmo quando sujeita a todo o tipo de uso: vídeos atrás de vídeos, jogos pela noite dentro, música a toda a hora e mais aqueles vícios diários que nos esgotam a bateria num abrir e fechar de olhos.

O Aquaris V não vacilou e aguentou-se bem às maratonas a que foi sujeito. O tempo de carregamento surpreendeu-nos, sendo que bateria de 3100 mAh antevê uma certa longevidade do equipamento… pelo menos a nós fez-nos lembrar do velhinho Aquaris E5 FHD que anda aqui pela redação desde 2014 e que ainda consegue jornadas de trabalho ininterruptas de 20 horas.

Detalhes
Passadas a pente fino as câmaras, bateria, ecrã e desempenho, falta ainda falar dos pequenos pormenores que, muitas vezes, fazem a diferença. O Aquaris V segue a tendência atual do mercado, dando ao utilizador a possibilidade de escolher entre a modalidade dos dois cartões SIM e a opção um SIM mais o cartão de memória microSD.

O dual-SIM LTE (com suporte da banda 20) agrada-nos mas faz-nos alguma confusão ter de abdicar do cartão de memória SD. É certo que não se pode ter tudo, mas ter dual SIM e ao mesmo tempo entrada de cartão SD é algo de que não abdicamos. Mas, insistimos, somos um tipo de utilizador muito específico e temos noção de que trabalhar com dois cartões SIM não é assim tão importante para a generalidade do público-alvo deste telefone.

Do mal o menos, resta-nos a alternativa criativa. Tendo em conta o generoso espaço de armazenamento interno (de 32 GB), podemos combiná-lo com um uso correto da cloud, o que garante espaço suficiente para dispensar o cartão SD. Mas, ainda assim, dá algum trabalho.

Quanto ao sistema operativo, satisfez-nos a versão 7.1.2 – aqui sob a forma mais crua, ou se preferirem, mais pura – e ainda nos agradou mais saber que a marca garante para breve a versão 8.

Em resumo
O Aquaris V é um trabalhador, puro e duro. É certo que a câmara não é pau para toda a obra, mas vejamos o lado positivo: metade do trabalho é muito bem feito. O design é uma opção da marca e, quanto a nós, tudo o resto – ecrã, bateria e processador – compensa esta excessiva simplicidade visual. O preço é extraordinariamente competitivo: a partir de 189,90€ (na loja online da BQ).

Avaliação final
****

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